segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Há duas coisas que me fazem confusão: filtros nas fotos e vidas perfeitas.
Yep, se por alguma razão eles foram criados foi para eliminar imperfeições, os filtros obviamente.
Nisto sou um nadinha controversa: adoro filtros que fazem as fotos saírem super artísticas mas aqueles filtros só para eliminar imperfeições, esses acho que vão tirar a essência da foto.
Sim, já me habituei a que peçam sempre para os colocar antes de publicar qualquer foto e atenção que 90% das vezes quem está mesmo a precisar deles até sou eu.
Mas adoro aquelas fotos antigas, que nunca sabíamos se estavam centradas, se alguém ficou com o olho fechado ou vermelho ou até de cabeça cortada.
Era mesmo pelo gozo de tirar uma foto para marcar o momento.
Tenho imensas dessas com os meus amigos de infância e família. São um tesouro.
Até aquelas fotos instantâneas das polaroids que tínhamos de abanar a foto até esta se auto revelar. E estas acabavam por se revelar uma bela porcaria ou algo meio abstrato com meia dúzia de gatos pingados super inexpressivos de tão brancos da potência do flash.
Estas novas fotos editadas transportam a ideia errada de que as vidas são perfeitas sem arranhões.
745 fotos são tiradas até chegar ”aquela foto” em que todos estamos a sorrir, de olhos abertos, cabeças inclinadas num angulo perfeito e é só remover os olhos vermelhos, colocar o modo beautiful e está impecável.
Todos somos bem sucedidos, estamos a viver o sonho e não temos de ir às compras, não existem birras dos filhos, ninguém levanta cedo para ir trabalhar, não temos de pagar a conta do mecânico, não temos desgostos nem chatices, acordamos e saímos de casa sempre impecáveis, só comemos comida fit e o mundo é a nossa ostra.
Gosto mesmo é das genuínas, aquelas que soltámos gargalhadas porque alguém caiu ou porque alguém entornou a cerveja em cima de alguém desastradamente, aquela foto que apanha o momento em que alguém a rir cuspiu meio pão ou tem os dentes cheios de alface.
Gosto da foto que a pessoa não sabe que está a ser fotografada, da foto que cada um faz uma carantonha e está-se borrifando.
Amo a foto que uns anos depois de ter sido tirada desperta sentimentos, o resto... bem, nunca ninguém precisou de restos.
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